Quem é o grande inimigo da criação publicitária no Pará?
Na sua opinião, quem é o grande inimigo da criação publicitária no Pará? 1 - a realidade econômica, que impede investimentos; |
Para dinamizar ainda mais as discussões sobre a propaganda paraense, especialmente sobre a criação publicitária, o CCPP abriu este blog. Participe fazendo comentários, propondo temas ao debate, enviando notícias, enfim, use esse espaço para divulgar as suas idéias.
Na sua opinião, quem é o grande inimigo da criação publicitária no Pará? 1 - a realidade econômica, que impede investimentos; |


Nas fotos: 1- Glauco Lima e Walter Lencina. 2- Jorge Reis, Janjo Proença, André Moreira e Jansen Barros. |
| Vamos dizer de cara ao leitor: somos a favor da publicidade. Mais: nós amamos a publicidade. Ela fortalece marcas, informa o consumidor, aumenta vendas, cria empregos, gera riqueza. Mas não viemos aqui fazer publicidade da publicidade. Nosso foco de interesse, como o próprio nome, Clube de Criação de São Paulo, deixa claro é a Criação. Como esses profissionais, a despeito de todas as dificuldades, do pouco prazo, dos orçamentos pequenos, das enormes dúvidas dos clientes e da avalanche das pesquisas, conseguem colocar no ar comerciais brilhantes. Mas você já deve ter reparado: esses comerciais brilhantes estão cada vez mais raros. Culpa dos nos nossos criadores? Parece não ser, pois o Brasil continua se destacando como nunca nos festivais internacionais. Somos a terceira potência mundial em Criação atrás apenas dos EUA e Inglaterra, mesmo dispondo de verbas terceiro-mundistas e criando em português. Então, o que está acontecendo? Isso não é uma desculpa, é um diagnóstico: a Criação está sob ataque. Primeiro, sob ataque de briefings e estratégias de marketing banais, iguais, sem ousadia, elaborados numa moldura por profissionais que parecem entender muito de MBAs e pouco da vida. Segundo, sob ataque da insegurança de clientes que, tirando as honrosas exceções, se escondem atrás de pesquisas e mais pesquisas para recusar idéias ousadas e veicular publicidade convencional. (Essa sim, a maior inimiga do nosso negócio: aquela que irrita o consumidor, invadindo sua casa para tagarelar mesmices e ofender sua inteligência.) Agora vem o pior dos ataques: o do politicamente correto. Não se pode mais gozar de ninguém, não se pode rir de nada, não se pode usar nenhum grupo ou atividade, sem que alguém se sinta ofendido e queira tirar o comercial do ar. Relembremos dois comerciais inesquecíveis da nossa publicidade: “Hitler”, da Folha de São Paulo, e “O Primeiro Sutiã”, da Valisère. O que aconteceria com eles hoje? Imagine “Hitler” sendo submetido a pesquisa: “O quê? Hitler? Eu odeio esse homem e não quero que meus filhos vejam seu rosto na TV!”. Ou: “Você quer usar o maior tirano de todos os tempos para vender um jornal liberal?”. Pau.Gaveta. Próximo? “O Primeiro Sutiã”, então, coitado, nem iria para pesquisa. Seria recusado por ser sexista, por explorar a sensualidade de menores, processado pelo fabricante de almofadas pelo fato da menina jogar a sua displicentemente na cama. A onda do politicamente correto faz as pessoas se sentirem ofendidas pelos motivos mais estapafúrdios. Grupos de ilusionistas reclamam de efeitos especiais. Entidades de defesa dos animais denunciam maus-tratos a bichinhos criados em computador. Chegamos ao cúmulo de uma associação de palhaços reclamar da utilização da expressão “palhaço” em um comercial, por considerar ofensiva. E, como nada está tão ruim que não possa piorar, essa loucura virou uma grande mina de ouro para advogados entrarem com processos e recursos, exigindo até reparação financeira para seus indefesos clientes. Seria cômico se não fosse nauseante. Não pense que somos um bando de engraçadinhos irresponsáveis, que perdem a credibilidade mas não perdem a piada. Foram os próprios publicitários que criaram o Conar, o Conselho de Auto-Regulamentação Publicitária. Para que existisse um canal onde quem se sentisse atingido, ofendido ou enganado pudesse pedir a suspensão do comercial. E ele vem cumprindo bem esse papel: em 77% dos casos, o Conar julgou que o cliente tinha razão. Em 100% deles, a campanha foi cancelada. Por isso mesmo, pedimos, em nome da Criação brasileira: gente, o mínimo de bom senso. Por favor, não peçam para que a Escolinha do Professor Raimundo saia do ar porque faz piadas com portugueses. Não peçam para a torcida parar de xingar o juiz de ladrão, porque ele provou em cartório não ter antecedentes criminais. Não peçam que Hollywood deixe de filmar “Tubarão” porque o bicho morde um prefeito judeu. Caso contrário, já, já, rir de um comercial será motivo suficiente para tirá-lo do ar. E desculpe se algum torcedor do Flamengo se sentiu ofendido pelo título. Mas que isso não seja motivo para nos processar nem pedir a suspensão do anúncio. Mesmo porque, time, que é bom, ele não tem mesmo. Texto: Clube de Criação de São Paulo. Fonte: meio&mensagem. |
| Existem critérios objetivos e subjetivos para definir isso. Uns questionáveis e outros irrefutáveis. Seria o olhar? O fato de usar óculos? Ou não usar? Pode ser a cor do sapato? A postura? O penteado? Ou o jeito da cabeça? Bem, isso é uma discussão interminável, que vamos certamente retomar hoje no Bate Papo Criativo, no Roxy Bar, a partir das 19h30. Quem é criativo vai! |
Nesta terça-feira (dia 22/11), agende uma reunião pra lá de importante: a partir das 19h30 vamos nos encontrar no Roxy Bar pra fazer duas das coisas que a gente mais gosta: ver comercial e jogar conversa fora. A conta, claro, é por conta de cada um.